“As Quatro Estações” de Astor Piazzolla
Por Inês Vaz e Pedro Santos

Depois de percorrerem numerosas igrejas, auditórios, festivais, com “As Quatro Estações” de Vivaldi, que deixaram o público surpreendido, rendido à sonoridade renovada e intensa expressada por dois acordeões, Inês Vaz e Pedro Santos apresentam agora um novo concerto, totalmente dedicado a Astor Piazzolla, uma das mais marcantes influências e referências artísticas de ambos. 

Piazzolla comunicou, através da sua música, vida e morte, finitude e eternidade, mundano e etéreo, amores e desamores… comunicou, em toda a sua plenitude, tudo o que o mundo representa em si, de certa maneira conectando todas as suas contradições e dicotomias, de uma das formas mais extraordinárias, irreverentes, inovadoras e deslumbrantes, tornando-o seguramente um símbolo de eternidade através do seu esplendoroso universo melódico.

“As Quatro Estações” estabelecem a ponte de ligação para este novo programa, abrindo caminho a uma viagem do século XVII (Vivaldi) para o século XX (Piazzolla). 

“As Quatro Estações” de Piazzolla foram escritas como peças isoladas, com um intervalo temporal distante entre si, (Verano Porteño 1965, Otoño Porteño 1969, Invierno Porteño e Primavera Porteña 1970). Contrariamente à preponderância de um lado contemplativo da natureza presente na obra de Vivaldi, e com vários andamentos pertencentes a cada estação, “As Quatro Estações” de Piazzolla foram baseadas numa ideia mais urbana, dos estados de “alma” que o compositor sentia ao observar e viver o quotidiano de Buenos Aires, obviamente espelhando cada estação do ano, mas também todo o tumulto político e social vivido na Argentina naquela época.

Não obstante a existência de inúmeras versões e arranjos destas peças, as transcrições apresentadas neste concerto, são baseadas na composição original de Astor Piazzolla, executadas pelo seu quinteto. 

Para além da obra acima referida, será também apresentada a Trilogia del Angel, que inclui uma série de três peças, Milonga del Ángel, La Muerte del Ángel e Resurreccion del Ángel.  A primeira peça composta deste ciclo foi La muerte del Ángel, sendo posteriormente adicionadas Milonga del Ángel Resurreccion del Ángel, com a finalidade de serem integradas na banda sonora de uma peça de teatro chamada “Tango del Ángel” de Alberto Rodriguez Muñoz, na qual um anjo curava os espíritos dos habitantes de um bairro pobre de Buenos Aires.

Não estamos certos que exista um anjo planante ao longo de cada concerto, mas, respirando a música de Piazzolla, seremos (músicos e público) seguramente transportados para um lugar transcendental.

(Créditos fotográficos: Márcia Lessa)

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